Gigantes do setor alimentício fecham os olhos para a desigualdade no campo

By on fevereiro 28, 2013
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Levantamento realizado pela Oxfam revela desinteresse das maiores empresas do setor sobre problemas socioambientais relacionados às suas cadeias de fornecimento

A Oxfam, confederação de 17 organizações que lutam pelo fim da desigualdade e da pobreza em 94 países, conduziu avaliação inédita sobre as políticas de compras de gêneros agrícolas das dez maiores companhias globais de alimentos. No relatório “Por Trás das Marcas”, a Oxfam avalia compromissos socioambientais de Nestlé, Danone, Coca-Cola, PepsiCo, Unilever, Kellogg’s, Mars, Mondelez, General Mills e Associated British Foods. As dez empresas foram selecionadas por seus faturamentos anuais e posição no ranking Forbes 2000. Estas empresas apresentam um faturamento que equivale a 17% do PIB brasileiro (2011).

Foram avaliados, com base em informações públicas das próprias companhias, os níveis de transparência quanto à origem das matérias-primas, bem como o alcance de suas políticas para promoção de igualdade de gênero no campo, compartilhamento de riscos com agricultores familiares de sua cadeia de fornecimento, exclusão de fornecedores envolvidos em conflitos por terra, água ou desmatamento, garantia das normas trabalhistas estabelecidas pela Organização Internacional do Trabalho – OIT, e mitigação de emissões de gases de efeito estufa na produção de commodities. O critério de avaliação foi construído pela Oxfam, em consulta com especialistas nesses assuntos.

A Oxfam aponta que todas as empresas tiveram um desempenho fraco – a melhor delas atingiu o meio da escala (54 pontos de 100). Associated British Foods (19%), Kellogg’s (23%) e General Mills (23%) tiveram as piores pontuações, enquanto Nestlé (54%), Unilever (49%), e Coca-Cola (41%) foram as mais bem avaliadas.

“Analisamos o que elas dizem e concluímos que, em nenhum caso, as empresas assumem suas responsabilidades conforme seria necessário. São imprescindíveis avanços tanto nas políticas quanto nas práticas, e isto deve ser feito com transparência, para que a sociedade confie no compromisso das empresas no combate à fome e à desigualdade”, argumenta Rafael Georges, Porta-Voz da “Por Trás das Marcas”, no Brasil.

O relatório “Por Trás das Marcas” será lançado em treze países, e o ranking das dez empresas será atualizado anualmente, por três anos, em uma plataforma digital, por meio da qual a Oxfam visa engajar os cidadãos nessa campanha: http://www.oxfam.org.br/portrasdasmarcas

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