Qualificação da mão-de-obra brasileira, uma nova urgência

By on fevereiro 28, 2013
Alexander Damasceno é diretor do B.I. International

Alexander Damasceno*

Embora as taxas de desocupação indiquem que estamos caminhando para um cenário de pleno emprego no Brasil, o crescimento econômico demandará novas habilidades e competências dos profissionais do País. Resta saber se os brasileiros estão preparados para as novas exigências do mercado, já que os dados das últimas pesquisas são alarmantes. A produtividade do Brasil é cinco vezes menor que a dos Estados Unidos, quando medida em termos de produto interno bruto (PIB) por pessoal ocupado. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), somente 11 a cada cem brasileiros entre 25 e 64 anos detêm um título de nível superior. Já nos países ricos, 31 a cada cem passaram por algum tipo de educação terciária.

Não obstante, o governo federal prepara um plano ambicioso para atrair mão de obra estrangeira altamente qualificada. O ministro Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, lidera o projeto. A intenção do governo é aumentar de 0,3% para 3% o número total de estrangeiros na população brasileira. Desse modo, seis milhões de imigrantes passarão a prospectar empregos no mercado nacional.

O próprio ministro reconhece que a educação dos brasileiros seria a melhor ferramenta para o País alcançar o desenvolvimento necessário. Contudo, “é um caminho mais demorado”, ele confessa. Por esse motivo, pretende tornar o Brasil um destino prioritário para os estrangeiros.

Não é um cenário para medo, pavor, xenofobia ou protecionismo. É preciso lembrar que cerca de 4 milhões de brasileiros vivem no exterior, sendo os Estados Unidos, Japão e diversos países europeus os principais destinos. Muitos saem em busca de uma nova vida, trabalho e estudos. Aqueles que ousarem aprender com as renomadas instituições estrangeiras ou buscarem qualificação no país em que moram, estarão aptos a competir globalmente mediante as novas conjunturas. Há algum sentido nos bordões midiáticos que reforçam “o apagão da mão-de-obra no Brasil”, afinal, esses bordões comprovam os gargalos do desenvolvimento que existem por aqui. Contudo, as soluções estão cada vez mais aparentes.

A entrada de estrangeiros no País vai não só atrair mão de obra qualificada, mas também incentivar o brasileiro a buscar mais formação dentro e fora do Brasil com o objetivo de garantir seu espaço. Experiências internacionais em universidades como UC Berkeley, Babson College, Columbia, Johns Hopkins e Jiao Tong são uma ótima opção de destinos para aqueles que querem atender a demanda por mão de obra qualificada e estratégica. Profissionais que procuram esse tipo de formação já perceberam a urgência de se qualificarem de modo a melhorar a produtividade, capacidade tecnológica e base de inovação do Brasil e, assim, alcançarem mais destaque em um mercado cada vez mais competitivo.

*Alexander Damasceno é diretor do B.I. International, escola global de educação executiva com foco em empreendedorismo e inovação.

Alexander Damasceno é diretor do B.I. International

 

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