Você já ouviu falar em empresas caórdicas?

By on junho 16, 2016
Prof. Randes Enes

   As transformações sociais, econômicas e tecnológicas em curso neste século XXI impactam a gestão das empresas e das carreiras. Até bem pouco tempo, o modelo organizacional vigente era caracterizado por estruturas sólidas e pouco flexíveis, dando origem às empresas que muitos chamam de “dinossáuricas” – se movem devagar, mudam com lentidão e, tal como esses animais, correm o risco de extinção ao serem engolidas pela concorrência ou, pura e simplesmente, encerrarem suas atividades sem nenhum cliente sentir falta.

  “Vivemos, atualmente, em ambientes mais complexos e dinâmicos. A instabilidade é um elemento inerente aos processos. Então, o conceito de empresa caórdica emergiu para ajudar a orientar os gestores e indivíduos a lidarem com a combinação entre as características de ordem e caos que existem ao mesmo tempo numa determinada situação e gerando uma certa harmonia”, explica o Prof. Randes Enes (foto), coach, consultor de empresas e professor da FGV nas áreas de gestão de pessoas, estratégia, marketing e vendas. Caórdico foi o termo que Dee Hock criou, em 1999, para pensar e propor estas novas diretrizes organizacionais.

   Gestão do conhecimento, inovação, agilidade na tomada de decisões, diminuição da burocracia e das estruturas hierárquicas, mais comunicação horizontalizada, ferramentas para promover aprendizagem com base nos erros e acertos, e nova postura das lideranças são algumas das competências a serem implementadas nestas organizações. “Uma empresa caórdica define seus princípios e valores, proporciona a autonomia responsável a seus empregados, por exemplo, permitindo-os explorar e experimentar. Os líderes necessitam estimular sua equipe a desenvolver seu potencial, adotando o estilo de um coach. Criatividade, autonomia, automotivação e menos controle são fundamentais”, esclarece Enes.

  Apreender o que é uma organização caórdica é uma tarefa e tanto para os empreendedores, seja qual for o ramo e tamanho da empresa, como também para os colaboradores – seja aquele da carteira assinada ou para os que operam como autônomos. “O risco de desaparecimento também vale para as pessoas que não investem em sua formação, não se reciclam e acomodam-se na rotina de trabalho”, finaliza.

   A tabela abaixo mostra as diferenças entre estes dois modelos de gestão das empresas:

ANTIGO ESQUEMA ORGANIZACIONAL NOVO ESQUEMA ORGANIZACIONAL

Máquinas Redes, Verticalidade Horizontalidade, Estabilidade Incerteza e Caos, Controle burocrático Autocontrole ético, Departamentos Processos, Reter a informação Compartilhar a informação, Recursos humanos Comunidade de pessoas, Indivíduos Equipes, Obediência Compromisso, Centralismo Descentralização, Unilateralidade Alianças, Concentração Delegação, Apego a norma Valorização das Iniciativas, Planos Opções, Gerente Coordenador de Projetos, Sócio-diretor Facilitador, Unidade de comando Liderança compartilhada, Administração por objetivos Objetivos compartilhados, Poder de posição Autoridade merecida, Decisão lenta – vertical Decisão rápida – horizontal.

 Fonte: Adaptado pelo Prof. Randes Enes de Andrade R. e Pereira L. M.

 

 

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